quinta-feira, 7 de junho de 2012

DEBATE: CIDADE DE DEUS, UMA DÉCADA EM UMA TARDE.


Comemorando 10 anos, o filme Cidade de Deus do diretor brasileiro Fernando Meireles, ganhou um grande debate na Planária da Assembléia Legislativa do Ceará no quarto dia do Festiva Ibero-Americano Cine Ceará (segunda 04), com a presença de jornalistas, estudantes de cinema e áudio visual, atores  e diretores latinos. E é claro, a presença transcendental do Diretor Fantasma.

Na bancada junto com o diretor estavam os críticos de cinema Ana Maria Bahiana e Luiz Zanin, o deputado Lula Morais, o presidente do INESP Paulo Linhares, o diretor da Casa Amarela Wolney Oliveira, a secretária do audiovisual do Ministério da Cultura Ana Paula Santana e a jornalista Maria do Rosário Caetano. 

O debate começou com a exibição do trailer do documentário “Cidade de Deus-10 Anos Depois”, que mostra uma série de depoimentos das pessoas que participarem do elenco sobre o filme “Cidade de Deus” e como está a situação atual de cada um. O documentário é dirigido por Cavi Borges e Luciano Vidigal e será lançado no Festival do Rio, no final desse ano.  


A primeira pergunta feita para o diretor Fernando Meirelles foi sobre o elenco infantil. Como a equipe tomou o controle da molecada presente no filme de forma tão ordenada. O diretor contou:

“A ideia foi criar uma escolinha de cinema um ano antes, onde alugamos um espaço no Rio e entrevistei dois mil garotos, selecionei duzentos, e diariamente fazíamos aulas em turnos, 3 vezes por semana. Nesse processo não foi dito a eles que eu iria fazer um longa. Na minha cabeça se eu encontrasse os atores faria o filme e se eu não encontrasse os atores naquele grupo eu abandonaria o projeto. Acabei encontrando. Tenho uma teoria, e acredito muito nela, que atuar é como um dom. Acho que as pessoas nascem atores. Até arrisco dizer que quatro entre 100 pessoas são atores. Então na verdade o que eu preciso é achar os atores. E é isso que eu fiz. Eu não diria que eu formei atores, eu encontrei atores. Foi uma peneira. Que nem futebol”.

Após, a crítica de cinema e uma das juradas de longa-metragem do Festival, Ana Maria Bahiana, lembrou de como filme de Meirelles foi o comentado no Festival de Cannes em 2002 e de como foram duras as críticas aqui no Brasil sobre o filme. Meirelles então compartilhou:

“Logo que lancei o filme fui convidado para fazer um debate numa sala em São Paulo e, na verdade, fui esquartejado por uma parte das pessoas que estavam na mesa e pelo público que estava lá. Lembro de um camarada que estava sentado na minha frente que, em algum momento, falou: “Seu imbecil, seu filme vai ser esquecido em um ano”. Falou assim, na minha cara. Eu não esqueci essa frase e pensei: ‘Vamos ver daqui dois anos se o filme será esquecido’. E nós estamos aqui. Ele estava errado e o filme deve ter alguma coisa certa”. 



Quando perguntado sobre o retorno financeiro do filme, o diretor confessa que se tratando em lucros em dinheiro, o filme não compensou: 

“A minha carreira hoje sem dúvida se deve ao filme. Quando voltei após mostrá-lo em Cannes vim com uma pilha de 15 roteiros. Então se hoje faço cinema e tenho um acesso a financiamento internacional é por causa do filme. Agora, retorno direto por causa do Cidade de Deus, infelizmente, foi quase nada. Eu fiz contratos muito ruins. Coloquei meu próprio dinheiro para fazer o filme. O nosso país mudou muito, mas há dez anos ninguém ia investir num filme sobre favela com atores desconhecidos. Era uma total maluquice. Então acabei investindo”.

Meirelles completa ainda que está em crédito com os estúdios e que encarou processos judiciais:

“O fato é que pela contabilidade da Miramax, apesar deles terem pago 1 milhão e 800 mil pelo filme, e ele ter feito 7 milhões de dólares nos Estados Unidos, ainda estou devendo 4 milhões e poucos mil dólares para zerar a conta e começar a receber. Eu vou lá na loja, o filme está nas prateleiras, mas eu ainda estou com um débito”.

“Tem uma cena do aniversário do Zé Pequeno, onde tinha uma mesinha tocando um samba. Eu ia rodar essa cena e o cara que tava lá, o ator, disse que teria um samba feito por ele e perguntou se poderia colocar no filme. Nós dissemos que sim e fizemos um contrato Na hora de 5 mil reais com ele. Depois que o filme foi lançado, descobrimos que ele tinha um parceiro que queria 4% da renda mundial do filme. Daí nesse processo gastei ainda mais dinheiro.

È isso ai, parece que dez anos ainda não bastaram para esquecer CDD. Até a proxima década!

terça-feira, 5 de junho de 2012

FERNANDO MEIRELLES, 10 ANOS DE CDD


 No quarto dia do Festival Ibero-Americano Cine Ceará (segunda 05), o Diretor Fantasma teve a grande honra de conversar com um dos mais importantes diretores do cinema brasileiro responsável pela disseminação de temas tratados em favelas, pelo mundo a fora. Fernando Meirelles está em Fortaleza e participou de um debate sobre os dez anos de “Cidade de Deus”, com a divulgação do documentário "Cidade de Deus-10 Anos Depois" que mostra a vida atual das pessoas que participaram do filme considerado a obra-prima do diretor. Um trabalho que rende um debate mesmo uma década depois de feito. Tudo aconteceu na Plenária da Assembleia Legislativa com a entrada gratuita. 
    
 

 Confira a entrevista:
 
Diretor Fantasma: Para fazer Cidade de Deus não foi nada fácil, dá para estipular pelo resultado final do filme. De todas as dificuldades de direção cinematográfica, qual foi a mais trabalhosa de se lidar/

Fernando Meirelles: Acho que foi juntar as 600 páginas do livro no roteiro de cento e poucas páginas e achar um elenco de atores não profissionais que dessem conta da história.

DF: Sobre o documentário “Cidade de Deus-10 Anos Depois” que mostra como está hoje a vida das pessoas que participaram do filme. Alguns continuaram morando na favela, outros trabalham como atores, ou são marceneiros, mecânicos e até mesmo entregues ao crime. Você previa todos esses “finais”.

FM: Sim. É interessante esse documentário porque é um retrato do Brasil, é um resultado do que aconteceu com aquela molecada da periferia do Rio dez anos depois. Claro que alguns garotos não sabiam o que poderia acontecer com eles participando do filme, e ainda sim deram certo, foram surpresas boas. Assim como tinha garotos muito complicados que sabia que não ia acabar bem, até tentamos ajudar no caminho. Mas é incrível que dá para saber se o cara vai ou não dar certo só no olho. 


DF: Cidade de Deus tratou de um tema muito delicado e mais que real para o Brasil naquela época. Depois do sucesso, várias produções seguiram o mesmo tema do filme, trataram sobre o cotidiano nas favelas. “Tropa de Elite” é um resquício desse tema. Você acha que depois de um tempo, falar de favela, virou moda nas produções?

FM: Na verdade a favela não pode ser considerada moda, uma enorme parcela da população brasileira mora em favela, que até um tempo atrás era esquecida pela mídia em geral. Eu acho que o filme ajudou a trazer uma população a tona, colocar luz nesse lado do Brasil. Por outro lado o filme fez uma boa bilheteria, e muitos produtores viram que mostrar aquelas histórias que não estavam sendo contadas podia trazer público, por que antes achavam que ninguém iria assistir, mas então viram que não, que há interesse nessas histórias. Mas ainda sim eu acho até crueldade dizer que virou moda, por que isso ajudou a disseminar uma parte desfavorecida da população.

DF: Depois de ser produtor do filme Xingu e sofrer com a baixa bilheteria você afirmou que desistiu de iniciar o roteiro baseado na obra Grande Sertão Veredas para seu próximo filme, mas desistiu por conta do desinteresse do público, afirmando que para a língua portuguesa, por enquanto, não fará filmes. Haveria então agora algum projeto para a TV?

FM: Eu vou rodar um filme internacional agora em outubro, na Europa, sobre um milionário grego, Aristóteles Onassis, e estamos fazendo dois projetos na produtora, produzindo não vou dirigir. Um se chama “Contos do Edgar”, que são seis contos adaptados do escritor Edgar Allan Poe, que começa a ser gravado agora em agosto com o elenco todo brasileiro. E tem um programa chamado 360, que não tem nada há ver com o meu filme que vai ser lançado agora, e será um documentário sobre questões muito tópicas no Brasil vistas sempre de pontos diferentes. As duas produções serão para a Fox. Todos serão rodados esse ano ainda.


O filme que foi responsável pela sua ascensão como diretor e teve uma grande parcela de contribuição para sua carreira internacional. Depois de Cidade de Deus, Meirelles dirigiu:

 “O Jardineiro Fiel” (2005)
Filme que rendeu 3 indicações ao Oscar, sendo ganhador na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante para a britânica Rachel Weisz; 

“Ensaio Sobre a Cegueira” (2008)
 Uma adaptação do livro homônimo do escritor português José Saramago, com grande elenco internacional. Com Julianne Moore, Mark Ruffalo e Danny Glover.

360 (2012)
   

Inspirado em "La Ronde”, clássica peça de Arthur Schnitzler, 360 é uma reunião de histórias dinâmicas e modernas, passadas em diversas partes do mundo. No elenco mais uma vez a atriz britânica Rachel Weisz , o consagrado ator britânico Anthony Hopkins , o ator Jude Law , o ator americano Bem Foster e a atriz brasileira que viveu a Aline na série de mesmo nome na TV, Maria Flor, além de um grande elenco estrangeiro. O lançamento está previsto para dia 27 de agosto.

domingo, 3 de junho de 2012

PUESTA EN MARCHA El 22 º CINE CEARÁ!


Com um clima latino e super aconchegante, deu-se início ao 22º Cine Ceará - Festival Ibero Americano de cinema, nesta sexta-feira (1º), no lindo teatro José de Alencar. Uma noite com um sotaque portunhol e muito cinema. É claro que o Diretor Fantasma marcou presença e conversou com alguns diretores, jurados e com o grande homenageado da noite, o ator Marco Nanini. Tudo acompanhado pela querida amiga e fotógrafa Drica Creston que registrou estes grandes encontros no Festival. 

 Este anos o Cine Ceará torna-se janela para as produções ibero-americanas com o tema, Lutas Sociais Na América Latina. São 9 longas-metragens (sendo 3 brasileiros) e 12 curtas-metragens, realizados por produtores e diretores brasileiros ou erradicados no país há mais de três anos (duas produções são cearenses). Ao todo são 21 produções concorrendo o Troféu Mucuripe nas categorias de Melhor Curta, Direção, Roteiro e Crítica, para as curtas-metragens e Melhor Longa, Direção, Fotografia, Edição, Roteiro, Som trilha Sonora, Edição de Arte, Ator Atriz e Crítica, para as longas-metragens.

Na bancada do júri dos longas estão a brasileira Ana Maria Bahiana, o grego Alexis Grivas, a holandesa Irma dulmes, o uruguaio Nelson Wainstein e o peruano Alberto Chico que deu uma palavrinha com o Diretor Fantasma na noite de abertura do Festival e comentou sobre a importância de um festival ibero-americano e a posição do Brasil neles; " Acho que o Brasil de vez em quando fica meio deslocado, por causa da distância e do idioma, mas isso também não importa muito.", e complementa; "Os festivais são encontros das pessoas que inventam histórias, que imaginam, que criam e que deveria ter mais festivais ibero-americanos".
O diretor, roteirista e produtor, peruano, Alberto Chico.
Já na bancada das curtas-metragens está o cubano Jorge Molina Enríquez e os brasileiros Valderi Duarte, Afonso Galino e o jovem Arthur Frazão, que conversou com o Diretor Fantasma e se mostrou muito concentrado, pois se diz ter uma responsabilidade de fazer justiça, já que este é seu primeiro Festival avaliando curtas. O jovem jurado disse também estar ansiosos para ver alguns trabalhos e pretende aproveitar o festival.

O jovem jurado Arthur Frazão.
A noite também homenageou o ator Marco Nanini com um troféu Eusélio de Oliveira pela sua contribuição ao cinema brasileiro, entregue pelo cineasta Luiz Carlos Barreto. “Eu fiquei surpreso e muito feliz de voltar a esse teatro para receber um premio tão importante de um festival que já tem 22 anos, aqui nessa cidade tão linda e que combina tão bem o teatro, o cinema e as pessoas.”, disse o ator ao Diretor Fantasma.
 
Foto: Divulgação.

Além da homenagem, houve também a exibição do curta "Um Herói Iluminado" realizado pelos alunos do curso de Animação, realizado em parceria entre Casa Amarela Eusélio Oliveira e Coélce e a entrega dos certificados de conclusão do curso.


O Diretor Fantasma conversou ainda com dois diretores que estreiam com seus filmes no Festival. O diretor chileno de "Violeta Foi Para o Céu", Andrés Wood, comentou: "O Brasil é um país com muita cultura interna e muito autossuficiente, Acho que por isso não tem tanta necessidade de olhar para a latino-americana" quando questionado sobre a distância social e cultural do Brasil em relação a América Latina, e acrescenta; "Mas para nós, povo latino-americano, em particular países pequenos como o Chile, é extremamente prazeroso este intercâmbio e espero que siga crescendo".

 Já com o diretor do documentário "Futuro Do Pretérito: Tropicalismo Now!", Ninho Moraes, falou sobre a escolha do Festival para a estreia nacional de seu filme. "Foi uma conjunção boa, ele é um documentário e trata da cultura brasileira, do movimento tropicalista. O filme é muito animado e achamos que caberia muito bem aqui e o Festival também. ". Em meio a outros filmes sobre o movimento tropicalista "Tropicalismo Now!" se destaca por são ser uma produção feita por arquivos, ele é uma visão do século 21 sobre os movimentos mais importantes da cultura brasileira. Um documentário líbero-musical que intercala entrevistas com shows.

O diretor chileno André Wood.
O diretor brasileiro Ninho Moraes.


Após a exibição do longa chileno "Violeta Foi Para o Céu" de Andrés Wood, a noite encerrou com a apresentação de um grupo popular nordestino enquanto todos se encontravam em meio a quiosques com cardápios regionais.

Lembrando que as exibições das longas-metragens serão no Teatro José de Alencar a partir da 19:30 com entrada GRATUITA. Confira a programação completa do festival no site.

O Troféu Mucuripe.

LONGA-METRAGEM 
 BERTSOLARI / BERTOSOLARI
Asier Altuna. Documentário. 35mm. 90min. Cor. Espanha. 2011

PRAZO DE VALIDADE / FECHA DE CADUCIDAD
Kenya Márquez. Ficção. 100min. 35mm. Cor. México. 2011

DISTÂNCIA / DISTANCIA
Sergio Ramírez. Ficção. 75min. HDV. Guatemala. 2011

EM NOME DA FILHA / EN EL NOMBRE DE LA HIJA
Tania Hermida. Ficção. 102min. 35mm. Cor. Ecuador. 2011

FEBRE DO RATO
Cláudio Assis. Ficção. 35mm. 90’. Preto e Branco. Brasil. 2011

FUTURO DO PRETÉRITO: TROPICALISMO NOW!
Ninho Moraes e Francisco Cesar Filho. Documentário. HD. 76min. Cor. Brasil. 2011

RÂNIA
Roberta Marques. Ficção. 85min. 35mm. Cor. Brasil. 2011

UM AMOR / UN AMOR
Paula Hernández. Ficção. 35mm. 100min. Cor. Argentina. 2011

VIOLETA FOI PARA O CÉU / VIOLETA SE FUE A LOS CIELOS
Andrés Wood. Ficção. 110min. 35mm. Cor. Chile. 2011


 
CURTA-METRAGEM
A GALINHA QUE BURLOU O SISTEMA
Quico Meirelles. Ficção/Documentário. 35mm. 15′. SP. 2012

DIA ESTRELADO
Nara Normande. Animação. 17′. 35mm. PE. 2011

DISQUE QUILOMBOLA
David Reeks. Documentário. 13min. HDV. SP. 2012

DIZEM QUE OS CÃES VÊEM COISAS
Guto Parente. Ficção. HD. 12′. CE. 2012

LAMBARI
Márcio Soares. Ficção. HDV. 14′. MG. 2012

OS LADOS DA RUA
Diego Zon. Ficção. 35mm. 15′. ES. 2012

OS MORTOS-VIVOS
Anita Rocha da Silveira. Ficção. Digital. 19′. RJ. 2012

QUERENÇA
Iziane Filgueiras Mascarenhas. Ficção. 35mm. 19’58”. CE. 2012

REALEJO
Marcus Vinicius Vasconcelos. Animação. HDV. 12’47”. SP. 2012

SANTAS
Roberval Duarte. Experimental. 15′. HDV. RJ. 2012

SÉCULO
Marcos Pimentel. Ficção/Experimental. 11′. 35mm. MG. 2011

TRÊS VEZES POR SEMANA
Cristiane Reque. Ficção. 15′. 35mm. RS. 2011


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terça-feira, 22 de maio de 2012

O ENCERRAMENTO DO MONOLÍNGUE E MULTICULTURAL FESTFILMES!




 


Terminou no último dia 18 no teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura o FestFilmes, Festival do Audiovisual Luso Afro Brasileiro. Uma noite muito agradável e um encontro de grandes amigos e do cinema brasileiro. É claro que o Diretor Fantasma marcou presença no encerramento 

Começando dia 24 de março na TV União, com exibições dos curtas aos sábados, o FestFilmes vem com a proposta de vitrine para os curtas-metragens. Idealizado pelo também cineasta e presidente da associação cearense de som e vídeo, Duarte Dias, o Festival foi organizado em apenas um ano e meio, juntando as produções audiovisuais das nações que compõem a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa): Angola, Cabo Verde, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
O idealizador e cineasta Duarte Dias.

  
O Festival teve 317 curtas inscritos e se dividiu em três Mostras: Nascente, participando as produções nacionais, Iracema, para as produções locais e a Atlântica para as internacionais. Com exibições em Fortaleza e em 25 municípios o Festival foi de 13 à 18.

A noite premiou os melhores curtas escolhidos pelo júri popular na Mostra Iracema e Atlântica com uma remuneração em dinheiro para incentivo cultural dos participantes. Já o júri técnico escolheu o melhor diretor, fotografia, trilha sonora e aí vai. A noite ainda homenageou o renomado documentarista Silvio Tendler pelo conjunto da obra. 


O documentarista Silvio Tendler. Foto de Tatiana Fontes.


Na noite de encerramento estavam presentes dois dos três jurados do Festival. A produtora cultural Leila Buordokan (que já foi jurada no Festival de Paulínia, em São Paulo) disse em entrevista ao Diretor Fantasma que “o Festival teve uma seleção muito boa de filmes e que Brasil está bem representado e Portugal também.” 


Os jurados João Paulo Macedo e Leila Buordokan, posando para o Diretor Fantasma.


Já o português João Paulo Macedo, (diretor do FIKE Festival Internacional de Curtas Metragens em Évora, Portugal)  que apesar de ser a primeira vez em Fortaleza, já foi do júri do festival de Atibaia em SP, na Europa participou do festival de cinema nacional de Portugal, Festival de Avanca em Portugal, em festivais na Itália, Eslováquia, Ucrânia, França e por ai vai.
                                                                               Foto de Tatiana Fontes.


 
Confia a lista dos ganhadores do Festival:

MOSTRA IRACEMA
 Prêmio de melhor Filme – Júri Popular:
Onde o Tempo Corre Devagar, Iara Moura 

MOSTRA NASCENTE
Prêmio de Melhor Filme – Júri Popular:
Velho Mundo, Armando Fonseca 

Menção Honrosa:
O Cadeado, Armando Fonseca 

MOSTRA ATLÂNTICA
Prêmio de melhor Filme de Animação – Júri Popular: 
Menina da Chuva, Armando Fonseca 

Melhor Filme de Documentário – Júri Popular:  
Rio de Mulheres, Cristina Maure e Joana Oliveira 

Melhor Filme de Ficção – Júri Popular:   
Amigos Bizarros do Ricardinho, Augusto Canani 

Melhor Direção – Júri Técnico:   
Para Leonardo Cata Preta, por  O Céu no Andar de Baixo 

Melhor Roteiro – Júri Técnico:
Para Leonardo Cata Preta, por  O Céu no Andar de Baixo   

Melhor Ator Ex Aequo – Júri Técnico:
Para  João Marçal e Ricardo Azevedo, por 3×3 

Melhor Atriz Ex Aequo – Júri Técnico:
Para  Débora Ingrid e Soia Lira, por Doce de Coco 

Melhor Fotografia – Júri Técnico:
Para Cristina Maure, por Rio de Mulheres

Melhor Edição Ex Aequo – Júri Técnico:
Para Lucas Gonzaga – por Amigos Bizarros do Ricardinho, e Victor Santos, por Fotograma 23

Melhor Trilha Sonora – Júri Técnico:
Para Daniel Nunes – por O Céu no Andar de Baixo

O pesquisador Antônio Leão.

 O Festival teve ainda o lançamento do nono livro do pesquisador Antônio Leão da Silva Neto “Dicionário de Filmes Brasileiros Custa e Média metragem” e é uma atualização da edição anterior. São dez anos de pesquisa juntando as duas obras.

O roteirista Di Moretti.
  O roteirista Di Moretti, que estava pela quinta vez em Fortaleza, participou do festival ministrando uma oficina de Produção de Roteiro Básico na Vila das Artes e participou da entrega dos prêmios na cerimônia de encerramento. Di Moretti assina o roteiro de 12 filmes entre tantos está o super thriller político “Cabra Cega” (2004) e o documentário “Tropicália”, do diretor Marcelo Machado, que abriu neste ano o Festival É Tudo Verdade em São Paulo e para o próximo semestre o filme “A Última Estação” do diretor Marcio Curi. 

O diretor pernambucano Thiago Lira.
 Concorrendo na mostra Nascente o curta documentário à “Sua Imagem e Semelhança” sobre as bandas covers de Recife. O FestFilmes é o terceiro Festival que o diretor pernambucano Thiago Lira participa com o curta. O filme esteou no Mostra Internacional de Musica de Olinda, passou pelo Rio Grande do Sul e tem destino São Paulo no Festival de documentários musicais In-Edit. 



O ator baiano Ricardo Ayade. Foto de Tatiana Fontes.
  
Levando o troféu de Menção Honrosa e na disputa pelo prêmio de Melhor Filme do júri popular, na Mostra Nascente, estava o jovem ator baiano Ricardo Ayade com o curta-metragem “O Cadeado”. Dirigido por Leon Sampaio o curta é uma ficção baseada em uma história verídica de um professor, interpretado por Ayade, que vai dar seu primeiro dia de aula em uma escola da zona rural com muitos deficientes, mas o portão da escola está fechado com um cadeado que ele precisa arrombar.

O ator ainda acaba de participar do longa “Finding Josef”, uma coprodução do Brasil e Polônia, que está, que em pós-produção e talvez com estreia no final do ano no Brasil e na Europa. Com direção de Moisés Menezes o longa conta a história de Ian Kowalski, um polonês ateu em busca de seu irmão Josef. 25 anos depois de um acidente de trem Ian viaja parte do Brasil na esperança de encontrar seu irmão e acaba encontrando muito mais do que buscava.

Ricardo Ayade repetirá o seu papel de professor do curta O Cadeado no novo projeto do diretor Leon Sampaio, “Arame Farpado”. Será o primeiro longa do diretor e abordará a situação atual do trabalho escravo no Brasil. O longa tem gravações agendadas para novembro.

 Assim foi o belo FestFilmes. Agradeço a fotógrafa Tatiana Fontes pelas belas imagens e como todo Festival de curtas, fica recomendação: CURTA O CURTA!
 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Cannes 2012




Começa hoje a 65ª edição do Festival de Cannes, em um balneário na linda Riviera Francesa. O Festival de cinema mais glamoroso da Europa homenageia neste ano a atriz Marilyn Monroe em seu cartaz de divulgação. 



Com 50 filmes inscritos o Festival terá 22 pré-estreias mundiais. Na Estrada , do diretor brasileiro Walter Salles,  Cosmopolis de David Cronenberg, The Paperboy  de Lee Daniels, Like Someone In Love de Abbas Kiarostami e The Angels' Share  de Ken Loach, além da pré-estreia  também concorrem a Palma de Ouro.

O juri das Longas Metragens.
 
No júri das Longas Metragens o diretor italiano Nanni Moretti presidirá e contará ainda com os diretores Andrea Arnold (Reino Unido), Alexander Payne (EUA) e Raoul Peck (Haiti), o estilista Jean-Paul Gaultier (França) e os atores Hiam Abbass (Palestina), Emmannuelle Devos (França), Diane Kruger (Alemanha) e Ewan McGregor (Reino Unido). 

Os atores Tim Roth e Ewan MacGregor.

Já na mostra Um Certo Olhar o ator britânico Tim Roth (Cães de Aluguel), será presidente do júri, e contará com a diretora, produtora e atriz francesa Tonie Marshall, o crítico argentino de cinema Luciano Monteagudo, a atriz francesa Leïla Bekhti e Sylvie Pras, chefe do Cinemas at Centre Pompidou em Paris e diretora de arte do festival de cinema de La Rochelle.



 
O Brasil marca presença com Walter Salles concorrendo a Palma de Ouro, além da exibição do documentário de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim “A Música Segundo Tom Jobim”, dos filmes “Cabra Marcado para Morrer” (1984), do documentarista  Eduardo Coutinho, e “Xica da Silva” (1976), de Cacá Diegues (que também presidirá o juri do Caméra D’Or, sendo responsável pelo melhor estreante do Festival), na mostra Cannes Classics em cópias restauradas. Além do diretor cearense Karim Aïnouz, de “Madame Satã” e “O Abismo Prateado”, ambos exibidos em Cannes, participando do júri do Cinéfondation, para curtas-metragens feitos em escolas, e da competição de curtas-metragens. Três curtas nacionais estarão em mostras paralelas: O Duplo, de Juliana Rojas; Porcos Raivosos, de Leonardo Sette e Isabel Penoni; e Os Mortos-vivos, de Anita Rocha da Silva, além de uma coprodução ao lado de Argentina e Espanha, Infancia Clandestina, de Benjamín Avila.


Os diretores Karim Ainouz, Cacá Diegues e Walter Salles.



Veja a lista completa dos filmes presentes em Cannes 2012:

Candidatos à Palma de Ouro:

Moonrise Kingdom, dir. Wes Anderson
Rust & Bone, de Jacques Audiard
Holly Motors, de Leos Carax
Cosmopolis, de David Cronenberg
Paperboy, de Lee Daniels
Killing Them Softly, de Andrew Dominik
Reality, de Matteo Garrone
Amour, de Michael Haneke
Lawless, de John Hillcoat
In Another Country, de Hong Sang Soo
The Taste of Money, de Im Sang-Soo
Like Someone in Love, de Abbas Kiarostami
The Angels’ Share, de Ken Loach
Beyond the Hills, de Cristian Mungiu
After the Battle, deYousry Nasrallah
Mud, de Jeff Nichols
Vous n’avez encore rien vu, de Alan Resnais
Post Tenebras Lux, de Carlos Reygadas
Na estrada, de Walter Salles
Paris Amour, de Ulrich Seidl
The Hunt, de Thomas Vinterberg
Im Nebel, de Sergei Loznitsa

Um Certo Olhar:

Miss Lovely, Ashim Ahluwalia
La Playa, Juan Andres Arango
Les Chevaus De Dieu, Nabil Ayouch
Trois Mondes, Catheron Corsini
Antiviral, Brandon Cronenberg
7 Days In Havana, Benicio Del Toro, Laurent Cantet, Gaspar Noe, Elia Suleiman
Le Grand Soir, Benoit Delepine & Gustave Kervern
Laurence Anyways, Xavier Dolan
Despues De Lucia, Michel Franco
Aimer A Perdre La Raison, Joachim Lafosse
Mystery, Lou Ye
Student, Darezhan Omirbayev
La Pirogue, Moussa Toure
Elefante Blanco, Pablo Trapero
Confession Of A Child Of The Century, Sylvie Verheyde
11.25: The Day He Chose His Own Fate, Koji Wakamatsu
Beasts Of The Southern Wild, Benh Zeitlin

Fora de Competição:


Une Journee Particuliere, Gilles Jacob and Samuel Faure
Madagascar 3: Europe’s Most Wanted, Eric Darnell, Tom McGrath
Dario Argento’s Dracula, Dario Argento
Io E Te, Bernardo Berolucci
Hemingway & Gellhorn, Philip Kaufman
Ai To Makoto, Takashi Miike
Sessões especiais:
Der Mull Im Garten Eden, Faith Akin
Mekong Hotel, Apichatpong Weerasethakul
Villegas, Gonzalo Tobal
A Música Segundo Tom Jobim, Nelson Pereira Do Santos
Journal De France, Claudine Nougaret & Raymond Depardon
Les Invisibles, Sebastien Lifshitz
The Central Park Five, Ken Burns, Sarah Burns, David McMahon
Roman Polanski: A Film Memoir, Laurent Bouzereau


Cena do filme Moonrise Kingdom

O elenco do filme.
O 65º Festival de Cannes será aberto com o novo filme do diretor Wes Anderson, “Moonrise Kingdom”, que conta com um elenco de peso: Bruce Willis, Edward Norton, Frances McDormand, Tilda Swinton e os dois atores prediletos do diretor, Bill Murray e Jason Schwartzman. Além de abrir o festival, o longa-metragem estará também na disputa pela cobiçada Palma de Ouro. 

A atriz Bérénice Bejo apresentando a cerimônia de abertura do festival.
A cerimônia do Festival será presentada pela atriz francesa Bérénice Bejo (O artista) e homenageará o diretor Claude Miller, falecido dia 4 de abril, com  exibição de seu ultimo filme “Therese Desqueyrox”, adaptação do romance de François Mauriac, estrelado por Audrey Tautou (O Código Da Vinci) e Gilles Lellouche (À Queima Roupa), encerrando o festival dia 27.

O diretor frances Claude Miller.