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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

23° CINE CEARÁ – INíCIO DO FIM



Nessa ultima semana o Diretor fantasma participou assiduamente da programação do festival, principalmente das sessões competitivas de longa e curta metragens. Para tirar o atraso e se preparar para a dura partida vamos conferir o que aconteceu nessa semana.



Homenageando a filmografia contemporânea portuguesa, essa 23ª edição do festival Cine Ceará recebe até sábado (14) realizadores, atores, jornalistas e espectadores nos cinema do Dragão do Mar para aproveitarem os últimos dias desse encontro de cabeças que só pensam em cinema. 



Vamos começar então pela abertura do festival. Homenageando a atriz, diretora e cantora portuguesa Maria de Medeiros, o festival recebeu um publico muito característico, desses 23 anos de realização, que lotou as duas salas de cinema e o teatro do Dragão. Todos virão a solenidade e a entrega do troféu Eusélio de Oliveira para a atriz portuguesa, pelo conjunto da obra.
 
O diretor Luis Dantas.
Logo após, abrindo a mostra competitiva de longa metragem, foi exibido o filme de Luis Dantas, Se Deus Vier Que Venha Armado. Encerrando a noite de abertura do festival. Maria de Medeiros fez ainda uma apresentação junto com sua banda, no anfiteatro do Dragão, cantando suas mais recentes canções de seu novo álbum Pássaros Eternos. 

Maria de Medeiros

OCUPE O COCÓ


No dia 7 de setembro (independência do Brasil) aconteceu vária manifestação no país. Os manifestantes de várias causas conjuntas, em diversos estados aproveitaram a data para tornar visível os desapontamentos quanto a política e aos recursos social de má qualidade. Em Fortaleza não foi diferente, ainda mais cedo, antes do início do festival, os protestos se aglomeraram no entorno do Centro Dragão do Mar, onde manifestantes foram agredidos, gerando tumulto. Já a noite ainda podiam-se ver alguns manifestantes ainda em um pequeno grupo que ocupava os locais vazios do Dragão, de forma musical e pacífica. Mais tarde, quase para o fim da sessão de abertura, os manifestantes que são contra a construção do viaduto que ocupará certa parte do Parque do Cocó, se concentraram na entrada do teatro, onde acontecia a exibição do filme do diretor Luis Dantas, com o intuito de fazer uma intervenção na sessão do filme. Ouve muito empurra empurra e alguns desentendimentos entre os manifestantes e os organizadores do festival. No final de tudo aconteceu um acordo do próprio diretor do centro cultural, Paulo Linhares, com o grupo de que as portas do teatro seriam abertas para que fosse realizada a ação do protesto.

FILMES EXIBIDOS
 
Durante a semana boas produções foram exibidas no festival. Todos os dias são realizados debates na manhã seguinte em que o filme é exibido no festival, com a presença dos realizadores dos filmes. Elas acontecem a partir das 10 horas da manhã no auditório do primeiro andar, do hotel Seara, na Beira Mar. Os debates são mediados pela ilustríssima crítica de cinema da revista de cinema, Maria do Rosário, e recebe a imprensa e espectadores. 

 
Joel, Paloma Rocha e Paulo Mendonça


Destaque para o documentário Olho Nu totalmente atípico do diretor Joel Pizzini, sobre a vida e os processos artísticos do cantor Ney Mato Grosso. Uma biografia que não enfoca em datas de nascimento e nem em matriculas escolares quando criança, o diretor comentou que gostaria de sair dos padrões de cinebiografias musicais da TV que possuem uma linearidade muito previsível e quadrada. O filme são vários recortes de pensamentos, experiências, convívios pessoais com os amigos e com a família de Ney, com o cantor. Tudo extraído do cantor como em uma diagramação em que Ney vai contanto aleatoriamente (mas com um ritmo e sincronia elementar e muito bem trabalha) sua relação com a natureza, com sua nacionalidade, com seus pais e consigo, linkando e justificando como isso influencia e influenciou diretamente na sua carreira.



Outro destaque foi o longa, que assim como Olho Nu, de Pizzini, arrancou algumas canções da platéia que o assistia, Mercedes Sosa, A Voz da América Latina. Além de cantar a platéia também se emocionou com as tantas histórias da cantora que cantava em nome da união de um povo infiltrado e consumido pela ditadura militar e cultura estrangeira. 

O diretor Rodrigo Vila


PARA HOJE

O Diretor Allan Deberton

A partir das 19:30 se inicia a mostra competitiva de curtas-metragens. Hoje será exibido o curta do cearense Allan Deberton, Meu melhor Amigo, estrelando Jesuíta Barbosa, e também o curta Sanã. 


Na exibição das 20:00 será exibido o longa do cantor Oswaldo Montenegro, Solidões, estrelado pela atriz Vanessa Giácomo.












terça-feira, 22 de maio de 2012

O ENCERRAMENTO DO MONOLÍNGUE E MULTICULTURAL FESTFILMES!




 


Terminou no último dia 18 no teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura o FestFilmes, Festival do Audiovisual Luso Afro Brasileiro. Uma noite muito agradável e um encontro de grandes amigos e do cinema brasileiro. É claro que o Diretor Fantasma marcou presença no encerramento 

Começando dia 24 de março na TV União, com exibições dos curtas aos sábados, o FestFilmes vem com a proposta de vitrine para os curtas-metragens. Idealizado pelo também cineasta e presidente da associação cearense de som e vídeo, Duarte Dias, o Festival foi organizado em apenas um ano e meio, juntando as produções audiovisuais das nações que compõem a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa): Angola, Cabo Verde, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
O idealizador e cineasta Duarte Dias.

  
O Festival teve 317 curtas inscritos e se dividiu em três Mostras: Nascente, participando as produções nacionais, Iracema, para as produções locais e a Atlântica para as internacionais. Com exibições em Fortaleza e em 25 municípios o Festival foi de 13 à 18.

A noite premiou os melhores curtas escolhidos pelo júri popular na Mostra Iracema e Atlântica com uma remuneração em dinheiro para incentivo cultural dos participantes. Já o júri técnico escolheu o melhor diretor, fotografia, trilha sonora e aí vai. A noite ainda homenageou o renomado documentarista Silvio Tendler pelo conjunto da obra. 


O documentarista Silvio Tendler. Foto de Tatiana Fontes.


Na noite de encerramento estavam presentes dois dos três jurados do Festival. A produtora cultural Leila Buordokan (que já foi jurada no Festival de Paulínia, em São Paulo) disse em entrevista ao Diretor Fantasma que “o Festival teve uma seleção muito boa de filmes e que Brasil está bem representado e Portugal também.” 


Os jurados João Paulo Macedo e Leila Buordokan, posando para o Diretor Fantasma.


Já o português João Paulo Macedo, (diretor do FIKE Festival Internacional de Curtas Metragens em Évora, Portugal)  que apesar de ser a primeira vez em Fortaleza, já foi do júri do festival de Atibaia em SP, na Europa participou do festival de cinema nacional de Portugal, Festival de Avanca em Portugal, em festivais na Itália, Eslováquia, Ucrânia, França e por ai vai.
                                                                               Foto de Tatiana Fontes.


 
Confia a lista dos ganhadores do Festival:

MOSTRA IRACEMA
 Prêmio de melhor Filme – Júri Popular:
Onde o Tempo Corre Devagar, Iara Moura 

MOSTRA NASCENTE
Prêmio de Melhor Filme – Júri Popular:
Velho Mundo, Armando Fonseca 

Menção Honrosa:
O Cadeado, Armando Fonseca 

MOSTRA ATLÂNTICA
Prêmio de melhor Filme de Animação – Júri Popular: 
Menina da Chuva, Armando Fonseca 

Melhor Filme de Documentário – Júri Popular:  
Rio de Mulheres, Cristina Maure e Joana Oliveira 

Melhor Filme de Ficção – Júri Popular:   
Amigos Bizarros do Ricardinho, Augusto Canani 

Melhor Direção – Júri Técnico:   
Para Leonardo Cata Preta, por  O Céu no Andar de Baixo 

Melhor Roteiro – Júri Técnico:
Para Leonardo Cata Preta, por  O Céu no Andar de Baixo   

Melhor Ator Ex Aequo – Júri Técnico:
Para  João Marçal e Ricardo Azevedo, por 3×3 

Melhor Atriz Ex Aequo – Júri Técnico:
Para  Débora Ingrid e Soia Lira, por Doce de Coco 

Melhor Fotografia – Júri Técnico:
Para Cristina Maure, por Rio de Mulheres

Melhor Edição Ex Aequo – Júri Técnico:
Para Lucas Gonzaga – por Amigos Bizarros do Ricardinho, e Victor Santos, por Fotograma 23

Melhor Trilha Sonora – Júri Técnico:
Para Daniel Nunes – por O Céu no Andar de Baixo

O pesquisador Antônio Leão.

 O Festival teve ainda o lançamento do nono livro do pesquisador Antônio Leão da Silva Neto “Dicionário de Filmes Brasileiros Custa e Média metragem” e é uma atualização da edição anterior. São dez anos de pesquisa juntando as duas obras.

O roteirista Di Moretti.
  O roteirista Di Moretti, que estava pela quinta vez em Fortaleza, participou do festival ministrando uma oficina de Produção de Roteiro Básico na Vila das Artes e participou da entrega dos prêmios na cerimônia de encerramento. Di Moretti assina o roteiro de 12 filmes entre tantos está o super thriller político “Cabra Cega” (2004) e o documentário “Tropicália”, do diretor Marcelo Machado, que abriu neste ano o Festival É Tudo Verdade em São Paulo e para o próximo semestre o filme “A Última Estação” do diretor Marcio Curi. 

O diretor pernambucano Thiago Lira.
 Concorrendo na mostra Nascente o curta documentário à “Sua Imagem e Semelhança” sobre as bandas covers de Recife. O FestFilmes é o terceiro Festival que o diretor pernambucano Thiago Lira participa com o curta. O filme esteou no Mostra Internacional de Musica de Olinda, passou pelo Rio Grande do Sul e tem destino São Paulo no Festival de documentários musicais In-Edit. 



O ator baiano Ricardo Ayade. Foto de Tatiana Fontes.
  
Levando o troféu de Menção Honrosa e na disputa pelo prêmio de Melhor Filme do júri popular, na Mostra Nascente, estava o jovem ator baiano Ricardo Ayade com o curta-metragem “O Cadeado”. Dirigido por Leon Sampaio o curta é uma ficção baseada em uma história verídica de um professor, interpretado por Ayade, que vai dar seu primeiro dia de aula em uma escola da zona rural com muitos deficientes, mas o portão da escola está fechado com um cadeado que ele precisa arrombar.

O ator ainda acaba de participar do longa “Finding Josef”, uma coprodução do Brasil e Polônia, que está, que em pós-produção e talvez com estreia no final do ano no Brasil e na Europa. Com direção de Moisés Menezes o longa conta a história de Ian Kowalski, um polonês ateu em busca de seu irmão Josef. 25 anos depois de um acidente de trem Ian viaja parte do Brasil na esperança de encontrar seu irmão e acaba encontrando muito mais do que buscava.

Ricardo Ayade repetirá o seu papel de professor do curta O Cadeado no novo projeto do diretor Leon Sampaio, “Arame Farpado”. Será o primeiro longa do diretor e abordará a situação atual do trabalho escravo no Brasil. O longa tem gravações agendadas para novembro.

 Assim foi o belo FestFilmes. Agradeço a fotógrafa Tatiana Fontes pelas belas imagens e como todo Festival de curtas, fica recomendação: CURTA O CURTA!